A força de reconhecer-se as leis sistémicas no contexto escolar

2020-06-01

O objetivo deste artigo de opinião, baseado em factos científicos, pedagogias não científicas que funcionam e observação atenta ao contexto escolar, visa promover uma reflexão profunda, arquetípica e crítica, sobre o porquê de algumas crianças se mostrarem felizes e aprenderem progressivamente e outras não. O que estará por detrás do que mostram, diferente do que podem vir a mostrar, se enquanto adultos, estivermos disponíveis e curiosos, prestando-lhes uma declaração de amor (citando Delors), ao exercermos uma cidadania ativa, autónoma, independente e responsável. Basicamente mostrarmos o perfil que se deseja, desde 1997, via Projeto DeSeCo, para os alunos ao fim de 12 anos de escolaridade obrigatória.

Hellinger lançou um novo olhar sobre a Educação, clarificando o papel que cabe à escola e à família. Defendeu que sistémicamente, os pais chegam primeiro e nesse sentido, os professores e restantes agentes escolares, devem-lhes profundo respeito e reconhecimento hierárquico,  aceitando que fizeram o melhor que sabiam e podiam, com as oportunidades e modelos que tiveram. Assim, os alunos sentem-se inconscientemente respeitados e que têm direito a pertencer à sua família, tal e qual se apresenta. Franke ressalta que em primeiro lugar estão os pais, depois os alunos e só em terceiro os professores.

À escola compete, no exercício das suas funções profissionais e sociais, olhar com interesse e curiosidade para cada aluno. Averiguando onde está e onde deveria estar, no ciclo de estudos em questão, flexibilizando diferentes formas de ensinar e de aprender, até que as aprendizagens sejam visíveis (Hattie), reconhecendo-lhes assim, o direito a pertencer também à escola (Hellinger). A escola/creche é um local de treino de competências, onde é notável poder-se aprender conhecimentos académicos, práticos e transversais, que catalisem o desempenho académico, o amor próprio e relações possibilitadoras/cooperantes com os outros, habilidades que vão saber utilizar, quando e porquê nos contextos próximos e distais, ao longo da vida (o cerne da Educação para a Carreira). 

Os pais ao darem a vida aos estudantes, justificam a existência e sentido das escolas, oferecendo emprego aos agentes educativos, sendo que estes devem saber reconhecer, honrar e agradecer aos pais, promovendo a melhor educação, que se sentirem capazes aos alunos. Assim fomenta-se o equilíbrio entre o que se recebe dos Pais e o que se lhes dá, através dos filhos.

Os sistemas familiar e escolar, são tipicamente, os primeiros contextos que o sujeito frequenta. Ambos moldam os seus pensamentos, as suas emoções e os seus sentimentos, segundo Bandura. E consequentemente os seus Resultados, pelo Modelo de Comunicação da PNL, de Bandler e Grinder. O sistema educativo no exercício do seu papel, deve promover experiências poderosas de lugar, ao formar, informar e transformar a relação dos indivíduos consigo mesmos, com os outros e com o mundo (Stern). Assim, independentemente das notas e dos comportamentos, os agentes escolares comprometidos, observam, avaliam e oferecem feedback intencional, olhando para os alunos com empatia, reconhecendo que são muito mais que os seus comportamentos, apenas querem ser vistos e acolhidos, muitos terem uma oportunidade diferente, para fazerem mais e melhor.

O agentes educativos (Professores, Educadores de Infância, Diretores, Psicólogos escolares, Decisores Políticos e Educativos), tal como as crianças, chegam ao sistema escolar oriundos de diferentes contextos, sendo que mostram "Personas" muito heterogéneas, quanto ao saber estar, ao saber pensar, ao saber sentir, ao saber dizer e ao saber fazer. Para conseguir-se promover um perfil homogéneo de alunos, primeiro há que catalisar a homogeneização do perfil adulto e a cooperação entre pares, quanto ao treino de competências intrapessoais, interpessoais, que catalisam o bem-estar e a excelência dos resultados, junto dos alunos. Importa que todos os adultos estejam em paz, com as suas próprias questões, especificamente com os seus próprios pais, ao que Franke, reconhece serem os Professores Carismáticos, que se têm diferenciado nas escolas, todos os outros projetam questões próprias por resolver, estando aquém de todo o seu potencial.

A inclusão da família no contexto escolar, enquanto primeiro sistema que o sujeito conhece e onde aprende diversos saberes, é muito diferente daquilo que pode vir a "saber" e a tornar-se com a forte influência de novos modelos certificados em competências sistémicas, que se encontram no desenvolvimento intra e interpessoal, além dos conhecimentos específicos das disciplinas que dominam tecnicamente e já lecionam.

Hellinger e os seus seguidores, reforçam a importância de consciencializar o sistema educativo da existência das três leis sistémicas/fenomonológicas, que atuam inconscientemente em qualquer sistema. Só tendo consciência do que se mostra atrás do visível, podemos alterar algo. As leis são: o equilíbrio entre dar e receber, o direito a pertencer e o respeito pela hierarquia. A causa dos grandes desafios que acontecem na escola, reside na violação de um ou vários destes princípios de vida, algo quer ser visto, reconhecido e ressignificado.

Isabela Oliveira


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