O inconsciente familiar e as dores humanas

2016-04-25

Todos nós temos a nossa história pessoal, familiar e coletiva. Quer queiramos quer não, somos afetados pelos enredos subjacentes à sequência de factos e ações. Até que entendamos como funciona o inconsciente, seremos boicotados, sem percebermos bem porquê e para quê.

psicoterapeuta alemão Bert Hellinger apercebeu-se, após algumas sessões, que os clientes bloqueavam no processo terapêutico. Percecionou que mais de 60% das questões que apareciam tinham que ver com comportamentos familiares herdados. Existia uma força genética inconsciente que criava entraves a mudanças comportamentais e mentais na vida dos seus pacientes. 

É irrefutável que todos os bons passos dos nossos antecessores chegam a nós enquanto força. Já os menos bons criam desequilíbrio e mau estar no(s) sistema(s). 

Ao observar o sistema familiar, Hellinger, interpretou que o mesmo era regido por macro leis humanas, que são autónomas da nossa concordância ou conhecimento e carregam típicamente um amor cego pela família. Ao termos perceção das mesmas, em aceitação e sem julgamento, compreendemos que fazemos parte de um sistema maior. E que podemos contribuir para: a ordem,  a integração de cada membro no sistema e o equilibrio entre dar e receber.  

Os eventos relevantes sistémicos podem respeitar a: Ruínas, golpes ou perdas de património; exclusões, abortos e segredos; dinheiro ganho indevidamente; acidentes e prejuízos; impedimentos de viver a vocação; não ser-se visto; escassez/falta de recursos; violência/abusos; emigrações e adoções; mortes prematuras e enfermidades graves e também linhas temporais por encerrar.

Ao constelarmos um sistema, seja ele familiar ou empresarial, integramos a harmonia, pelo equilíbrio no presente e concomitantemente libertamos o futuro do peso do passado (esquecido, reprimido ou ignorado).

A verdade é que não podemos mudar o passado. Seja familiar, profissional ou o que quer que seja. Podemos e devemos ter a responsabilidade de trazer melhoria contínua ao presente - aceitando e reconhecendo o lugar de cada um. Interiorizando que a cada momento, cada qual fez e faz sempre o melhor que sabe e pode, com os recursos que tem disponíveis.

A nossa identidade é um continuum entre quem fomos, quem somos e quem queremos vir a ser. 

Somos uma gota de água no Oceano, mas um simples gesto individual, fará toda a diferença.

 

Isabela Eunice


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