O que são Sistemas e Campos Sistémicos?

2018-01-02

Para Oshry os sistemas não são simplesmente a coleção de indivíduos, são sim, padrões de relacionamento. Para Scharmer a experiência do princípio do todo, permite expandir a compreensão profunda da vasta e invisível teia de relações interligadas dentro dos complexos sistemas humanos.

No cerne da filosofia sistémica, desenvolvida por Hellinger e seus seguidores, encontramos 3 leis/princípios básicos num sistema: o direito universal de pertencer ao sistema; a classificação hierárquica pela ordem de chegada ao sistema e a capacidade de sobrevivência do sistema, no equilíbrio entre dar e receber. Se um destes princípios é transgredido, as relações sofrem ou quebram-se e os seus efeitos podem sentir-se consciente e/ou inconscientemente ao longo de gerações, ou seja, o que fica por identificar, reconhecer e valorizar numa geração, passa para a seguinte. Da mesma forma o que é ignorado num sistema, mostra-se noutro(s) até que se resolva a causa do problema.

Pela visão fenomenológica, entende-se que o ser humano pertence a sete sistemas principais: pessoal, relacionamento afetivo, família de origem, filhos, social, profissional e vocacional. Cada sistema tem um lugar e uma ordem, devendo estar equilibrado, caso contrário, geram-se tensões e conflitos. O sistema mais importante é sem dúvida o pessoal, que tem de estar bem, para haver energia para os restantes e permitir tomadas de decisão conscientes e assertivas, que sirvam ao próprio e concomitantemente aos demais. 

O pensamento sistémico respeita a racionalidade científica, contudo crê ser insuficiente para o desenvolvimento humano e para a descrição do universo material. Alega que se deva pensar em interdisciplinaridade e olhar para um sistema, como sendo composto por partes, relacionadas dinamicamente entre si, de forma direta ou indireta e devem ter um objetivo comum.

Rupert Sheldrake, biólogo, bioquímico, pesquisador e escritor inglês, desenvolveu a teoria da morfogênese, acreditando que uma grande missão do ser humano é ir além do campo, do sofrimento e da morte em direção à eternidade, à aceitação da vida e de todo o movimento que ela contém. Cada pessoa pode fazer isso, começando por si, via informação invisível, que atua, independentemente de ter consciência. O campo morfogenético permite-nos averiguar em que história ou área da nossa família ou esse campo ainda está em sofrimento, em que altura esse campo parou e se existe possibilidade de ir além dessas histórias.

A própria Neurociência cada vez mais admite que a Consciência é um campo de informação e as memórias consolidadas não têm tempo. Além da nossa vida, da nossa existência, carregamos connosco muitas pessoas, muitas experiências. A alma da nossa família, a alma global,  cria um campo de informação e, quando nascemos, participamos desse campo com tudo o que ele contém.

Isabela Oliveira


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