A raiz invisível da dor humana

2023-11-06

 

Independentemente da família onde nascemos ou do que conquistamos ao longo da vida, a dor humana é inevitável. Assim como existe felicidade, existe sofrimento, não como falha pessoal, mas como parte estrutural da experiência humana.

Na infância, através dos modelos que tivemos, começamos a ativar programas mentais e comportamentais que moldam a forma como passamos a existir no mundo. Tudo o que ressoa positivamente em nós é integrado com facilidade: sentimos pertença, aprovação, amor. Já aquilo que nos confunde, fere ou desorganiza, mesmo antes de termos filtros emocionais, tendemos a reprimir, ignorar ou ocultar. Guardamos essas experiências no inconsciente, numa tentativa instintiva de nos protegermos e de mantermos o sentimento de sermos amados.

À medida que crescemos, as relações e os contextos expandem-se. O que admiramos nos outros desperta alegria; o que nos incomoda, desperta dor. Enquanto não compreendermos o funcionamento da mente total, reagimos apenas a partir da camada superficial- o ego. E é precisamente aqui que se perpetua a ilusão: acreditamos que o que nos perturbam nos outros se deve a eles, quando na verdade são partes nossas, ignoradas ou rejeitadas, que emergem disfarçadas.

Reconhecer isto é o primeiro passo para a maturidade emocional. É quando começamos a questionar, como adultos responsáveis, o que realmente está por detrás das emoções negativas:
– Que necessidades ficaram por atender?
– Que aspetos nossos continuamos a esperar, inconsciente e infantilmente, que outros venham preencher?
– Que partes da nossa história estão a pedir para ser vistas?

O passado ficou lá atrás, mas as emoções ligadas a ele, continuam vivas, armazenadas na camada profunda da mente. Projetamo-las nos outros, e eles em nós. A dor humana é um alerta. Está à espera de ser reconhecida, integrada e transformada com mais consciência e maturidade.

Isabela Eunice


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