Como fixar equipas psicologicamente aptas?

2021-06-24

Qualquer tomada de posição de um líder nato começa por identificar o conhecimento prévio dos seus liderados. Reconhecer o que já sabem é essencial: permite mapear informações, competências, experiências, crenças e memórias existentes. Como sintetiza o Professor Pedro Rosário na educação: “Diz-me o que sabes e eu digo-te o que vais aprender.”

Segundo Martin Seligman, quatro variáveis regulam o bem-estar e o florescimento das equipas: emoção, sociabilidade, família e espiritualidade. Estes pilares foram traduzidos em módulos práticos de intervenção, primeiro no contexto militar, mas com aplicabilidade transversal às organizações civis.

Módulo I — Aptidão emocional

As emoções negativas funcionam como alarmes: medo (perigo), tristeza (perda), raiva (violação de espaço). O treino passa por avaliar se a reação foi proporcional ao facto. Já as emoções positivas, devem ser cultivadas como recursos ativadores de energia, criatividade e bem-estar.

Módulo II — Aptidão familiar

O equilíbrio conjugal e relacional sustenta a resiliência psicológica. Competências trabalhadas incluem: construção de confiança e intimidade; gestão construtiva de conflitos; apoio mútuo em situações de stress; disciplina eficaz e relações saudáveis com os filhos; proteção emocional em casos de separação. A família torna-se um porto seguro que amplifica a capacidade de enfrentar adversidades.

Módulo III — Aptidão social

A solidão, como mostrou Cacioppo, é devastadora para a saúde. A resiliência emocional aqui é entendida como a capacidade de construir relações positivas, suportar o isolamento e criar coesão. Como lembra Seligman: “É o cimento que mantém os grupos coesos.” Equipas que confiam umas nas outras, comunicam bem e correm riscos em conjunto aumentam drasticamente as suas chances de vitória — no campo de batalha ou no mercado.

Módulo IV — Aptidão espiritual

Sem dogmas, mas com propósito. A espiritualidade é definida como a ligação a valores éticos, verdade, autoconhecimento e sentido de vida. Este núcleo espiritual fortalece: autoconsciência e responsabilidade; autorregulação emocional e comportamental; automotivação orientada a aspirações profundas e consciência social.

Trata-se de viver em função de algo maior que o próprio “eu”.

O General Shoomaker defendeu que a resiliência não deveria limitar-se ao exército. Jovens civis, expostos a depressão, ansiedade e problemas de conduta, podem beneficiar da mesma metodologia: formar pessoas psicologicamente aptas, capazes de prosperar na vida pessoal e profissional.

Equipas psicologicamente aptas são mais do que competentes: são resilientes, éticas, coesas e inspiradas por propósito. O futuro da liderança — seja em batalhões, empresas ou escolas — passa por cultivar estas quatro aptidões.

Isabela Eunice

 


Partilhar: