Consciência psicológica

2016-03-24

Tem perceção do que faz, como faz, do porquê e para quê? 

Convido o leitor a explorar a sua psique consciente. A refletir sobre quando terá desistido de si próprio. Em que momento(s) deu por si a reprimir/esconder algo que sentia, para poder relacionar-se com os outros. Foi em casa, na escola, no trabalho ou numa relação? 

Desde tenra idade que fomos influenciados pela envolvente.  Diziam-nos o que era certo ou errado. O que era para meninos e o que era para meninas. Quando devíamos ter fome ou frio. Um manual repleto de instruções, que num mesmo contexto, poderia variar consoante o emissor. Tudo começou em casa e continuou nos colégios, no liceu, na Universidade e no mercado de trabalho. Idem nas comunidades e na sociedade em que nos fomos inserindo. Criamos  crenças estapafúrdias de tanto ouvirmos o mesmo discurso e passamos a "primeira fase da vida" em constante adaptação ao exterior para sermos aceites e reconhecidos. 

Até que adquirimos o que é suposto socialmente- a carreira, a casa, o carro, o casamento, os filhos, as férias de "sonho" e o auge da felicidade encontra-se aquém do que imaginávamos ser. Começa o vazio, aquela sensação que nos falta algo. Em extremo entram as inseguranças, ansiedades e cansaço.

Estamos já na "segunda fase da vida". Naquele momento em que nos sentimos estranhos ao olhar no espelho. Sentimos incongruência entre o que mostramos/fazemos e aquilo que somos realmente. Isto acontece porque detivemos algures a nossa maior relíquia- a nossa essência.

As crises  advindas de qualquer perda - de segurança, financeira, alguém especial, autoestima - contém em si perigo mas também uma enorme oportunidade de nos transformarmos. De sermos cada vez mais nós em autenticidade e espontaneidade, ao invés de nos identificarmos "infantilmente com o coletivo".

E o estimado leitor, mostra quem é de facto ou esconde-se numa máscara que retira ao chegar a casa? Porquê? E para quê?

 

 

 

Isabela Eunice


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